A Defensoria Pública do Estado de São Paulo completa vinte anos. Ao longo dessas duas décadas, em diferentes gestões e contextos institucionais, gerações de Defensores/as construíram uma instituição reconhecida no sistema de justiça. Essa trajetória não é obra de uma pessoa ou de um mandato. É construção coletiva da carreira, com protagonismo relevante do Conselho Superior, que ao longo dos anos deliberou sobre as medidas mais estruturantes para a instituição e para quem nela atua.
Avançar exige mais do que inaugurar unidades. Exige consolidar o que já existe, fortalecer equipes incompletas, ampliar a capacidade real de atendimento e expandir com planejamento para não frustrar quem espera pelo serviço. Exige, sobretudo, instituir canais permanentes de diálogo com a carreira, aproximar a gestão das realidades de quem atua na ponta e garantir que a valorização funcional e remuneratória corresponda à responsabilidade que cada Defensor/a assume.
Esta Carta-Programa traduz esse compromisso em propostas coletivas, transversais e viáveis. Organiza-se em quatro eixos que se complementam: democracia interna e governança, planejamento estratégico e modernização, valorização da carreira, e comunicação e relações institucionais.
Especialista em Direito Constitucional pela COGEAE/PUC-SP. Mestre e Doutor em Direito do Estado pela PUC-SP. Defensor Público (Nível III) desde 2013, titular na Unidade Santana. Coordenador do Núcleo Especializado de Habitação e Urbanismo (2018–2022). Conselheiro do Conselho Superior da DPESP, representante dos Núcleos Especializados (2022–2024) e do Nível III (2024–2026). Diretor da Escola da Defensoria Pública — EDEPE (2024–2026).
Experiência, diversidade e compromisso com a carreira
Érica Leoni Ebeling e Leila Rocha Sponton trazem para a chapa a experiência de quem atua diretamente na ponta. Com trajetórias que combinam atuação prática, gestão institucional e produção acadêmica, representam o compromisso da DPT com a diversidade de gênero e a pluralidade de experiências na composição do Conselho Superior.
Diálogo como método de gestão, não como discurso. Transparência como prática cotidiana, não como exceção. Respeito ao colegiado como regra, não como concessão.
A democracia interna da Defensoria é tão importante quanto a democracia que ela defende.
O Conselho Superior é a principal expressão democrática da Defensoria Pública e o espaço onde a carreira delibera coletivamente sobre os rumos da instituição. Sua preservação é condição para manter o que foi conquistado e viabilizar o que ainda precisa ser.
Administrar a Defensoria Pública é tarefa da mais alta responsabilidade. Mas quem exerce essa função não deixa de ser Defensor/a Público/a. Somos todos/as parte da mesma carreira. A gestão que reconhece isso governa melhor.
Integrantes da Administração Superior não utilizarão cartão corporativo, reafirmando o compromisso com a sobriedade e a transparência na gestão dos recursos institucionais.
Nenhuma política institucional se sustenta sem quem a executa no cotidiano. Servidores/as são parte estruturante da Defensoria e precisam de condições reais de trabalho, reconhecimento e perspectiva de carreira.
"A Defensoria que queremos construir exige método, democracia e a participação de cada Defensor/a."Allan Ramalho Ferreira
A Defensoria precisa consolidar uma cultura institucional de planejamento orientado por dados. O Projeto Defensoria Presente propõe um caminho mais inteligente: utilizar a distinção entre cargo e órgão de atuação para alcançar novos territórios com os instrumentos que já possui.
Planejar com evidências. Expandir com responsabilidade. Modernizar sem atropelar.
Expansão baseada na distinção entre cargo e órgão de atuação, permitindo a criação administrativa de novas defensorias pelo Conselho Superior, com atribuições definidas e padrão de lotação, mesmo sem provimento imediato — viabilizando a presença institucional em novos territórios por meio de acumulações estruturadas, transparentes e remuneradas.
Agentes de IA integrados ao DOL para triagem por tema e urgência, rascunhos assistidos, modelos com preenchimento inteligente e agendamento automatizado.
Centro de Investigação Defensiva e Central de Curadorias para ampliação da capacidade probatória e atuação especializada.
A LC 80/94 exige assistência jurídica integral. Nenhum/a Defensor/a faz isso sozinho/a. A Defensoria não pode continuar operando com estagiários/as como força de trabalho principal. Equipe Integral significa constituir, para cada Defensor/a, uma equipe mínima profissional e estável, com o/a estagiário/a em papel formativo — não central.
Composição da equipe mínima por Defensor/a:
Diagnóstico por unidade nos primeiros 90 dias. Definição de parâmetros mínimos por porte em 180 dias. Provimento por ondas, começando pelas unidades com maior déficit.
Os avanços remuneratórios dos últimos anos contaram com protagonismo decisivo do Conselho Superior. A Rcl 88.319, a ADI 6.606 e a EC 135/2024 podem redefinir o campo de atuação em matéria remuneratória.
Consolidar o conquistado. Construir caminhos viáveis onde a defasagem persiste.
O trabalho que a Defensoria exige é integral. Plantões, acumulações, substituições, custódias, atividades extraordinárias — tudo isso precisa ser reconhecido e remunerado de forma justa. Não como favor, mas como direito.
A política de comunicação da Defensoria Pública deve afirmar a essencialidade do serviço que presta à população. A gestão exerce função transitória de coordenação de um projeto constitucional. A comunicação deve refletir essa dimensão, e as relações externas devem ser exercidas com autonomia e estratégia.
Quem comunica é a instituição. O que se comunica são direitos.
A política de comunicação da Defensoria Pública deve afirmar a essencialidade do serviço que presta à população. A gestão exerce função transitória de coordenação de um projeto constitucional. A comunicação deve refletir essa dimensão.
Com um orçamento cerca de 8 vezes menor que as carreiras constitucionalmente equiparadas, reverter essa assimetria exige presença qualificada junto aos demais Poderes e capacidade de oferecer soluções estratégicas.
DPT e Aliança no Conselho Superior — cadeiras diferentes, mesmas prioridades
A DPT e a Aliança disputam cadeiras diferentes do Conselho Superior. Ao comparar os dois programas, as convergências não são coincidência — são demandas estruturais que a carreira levanta há anos. Juntas, as duas chapas formam base suficiente no colegiado para transformar essas propostas em deliberação.
Quem acumula a carga de trabalho de um colega deve receber proporcionalmente por cada dia. As duas chapas propõem remuneração integral pelos dias de acumulação — sem teto artificial e sem compensação como única alternativa.
A DPT propõe a Equipe Integral (analista 1:1, oficial, agente, residente). A Aliança propõe equipe mínima com residente, estagiários/as e oficial. O princípio é o mesmo: nenhum/a Defensor/a deveria trabalhar sem suporte profissional estável.
Mais oficiais, funções de confiança que reconheçam a experiência acumulada, e critérios de substituição entre servidores/as mais funcionais e previsíveis. Quem sustenta o atendimento na ponta precisa de reconhecimento estrutural.
Oito convergências em programas construídos independentemente. Não é coincidência — é a voz da carreira. Com representantes comprometidos nas duas chapas, essas propostas têm caminho real no Conselho Superior.
O que a DPT propõe de original para a Defensoria
Compromissos concretos para os primeiros três meses de gestão.
Candidato ao Conselho pelo Nível I
Candidata ao Conselho pelo Nível II
Candidato ao Conselho pelo Nível IV
Candidata ao Conselho pelos Núcleos Especializados
Candidato ao Conselho pela Capital e Região Metropolitana
Candidatos/as à Defensoria Pública-Geral e ao Conselho Superior
Mais do que um conjunto de propostas, esta Carta-Programa expressa uma convicção: a de que as conquistas da Defensoria são conquistas coletivas e o seu futuro também deve ser. O que falta construir é maior do que o que já foi feito.
E não se constrói sem método, sem democracia e sem vocês.